Por que o incômodo?

Ao longo dos anos, com todas as voltas que o mundo dá, eu sempre sinto a necessidade de voltar aqui.

Escrever.

Colocar pra fora o tanto de pensamento que fica engasgado aqui dentro de mim. Eu não consigo pensar igual todos pensam, não consigo concordar. Sabe quando você está em uma rodinha de pessoas e o papo vai totalmente contra tudo que você acredita e todos seguem concordando? Pois é, isso tem acontecido tanto… e eu simplesmente me calo. Me calo por não querer ter que ensinar algo que deveria ser tão óbvio, tão natural. Por que as pessoas têm sempre a necessidade de apontar o dedo para as pessoas que são diferentes delas? A necessidade de querer cuidar do cabelo do outro, do jeito do outro, da sexualidade do outro. E por que o outro é o errado? Por que alguém tem que ser errado, afinal de contas? E pelo que percebo, essas pessoas são sempre julgadas como erradas simplesmente por existirem e cuidarem de suas vidas como acham que devem, sem fazer mal à ninguém.

Sabe, eu acredito que poucas pessoas saibam disso, mas na minha primeira faculdade, de Tradutor e Intérprete, fiz amizade com um cara super legal. Ele estava sempre radiante e com bons conselhos para dar e carinhosamente havia me apelidado de “lindosa”. Ambos deixamos a faculdade e mantínhamos contato apenas pelo facebook, afinal, a vida é sempre muito corrida para encontrarmos nossos amigos, né? Mas certo dia um post me chamou atenção, nele estavam dizendo que meu amigo estava desaparecido. Nos comentários eu procurava respostas, mas ninguém sabia o que realmente havia acontecido. Muitos dias se passaram, e recebemos a notícia: ele foi encontrado entre a vida e a morte em um hospital, pois havia sido espancado por um grupo de homofóbicos em um ponto de ônibus enquanto voltava pra casa. E então ele morreu. Simples assim. Por simplesmente ser.

Ok, mas o que essa história tem haver com tudo isso?

Hoje é um tal de querer falar “É menino ou menina?” “Nossa, mas que desperdício esse artista dançando com aquele outro que nem sei se é homem ou mulher!” GENTE – por que o incômodo? Eu não consigo entender onde está o desperdício. Não consigo entender o que vai mudar na vida de alguém saber a sexualidade de outra pessoa. Saber o motivo por alguém estar deixando o cabelo crescer. Tentar fazer piada com o jeito do outro. Não consigo entender.

Por que o incômodo?

Por que?

 

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Hello, 2017!

Antes de abraçar o novo ano que se inicia, é necessário saber dizer adeus ao ano que passou. É importante entender que cada momento vivido valeu a pena, mesmo os ruins – e que tudo que aconteceu fez da gente um pouco mais quem somos. 2016 foi de longe o ano mais intenso da minha vida, nunca vivi tanto em tão pouco tempo. Tive tantas experiências incríveis que realmente, não posso reclamar – o ano começou com uma viagem que fiz com minha mãe pra visitar minha vó de surpresa em Pernambuco, que foi a primeira vez que viajei sozinha com minha mãe e foi muito bom ter a companhia dela nos perrengues de aeroportos e traslados, que não foram tantos. Pernambuco tem o céu mais lindo e estrelado que já vi na vida – e foi observando esse céu que tive a ideia que mudou meu ano, eu iria fazer um estágio em NY! Foram alguns meses de preparação tirando passaporte e visto, e no final de Julho, embarquei para o meu sonho (sei que estou devendo muitos posts sobre isso aqui ainda, e eles irão sair – eu prometo). Os acontecimentos dos meses seguintes ao da viagem foram completamente inesperados, descobri que amor não é suficiente como idealizei a vida inteira, e vi que quem ama também vai embora, sim… mas deixa marcas eternas na gente. Não tenho como dizer que é fácil, de forma alguma, foi o momento mais difícil até o momento, mas, TUDO PASSA – ainda vou tatuar isso em mim. O final do ano foi cheio de descobertas, viajei para alguns lugares, fui em alguns shows, participei de algumas corridas, perdi alguns medos, como o de andar de moto, por exemplo e voltei meus olhos para pessoas muito especiais.


Nos primeiros minutos de 2017, estava pela primeira vez vendo os fogos na praia – sentindo uma emoção enorme por ter passado por mais um ano, por ter sobrevivido a tantos sentimentos fortes, por ter sido tão forte em tantos momentos difíceis, por todas as vezes que me perdi sozinha em outro país e mantive a calma, por tudo que eu fiz por amor, por todas as pessoas que amei intensamente. Chorei tanto, e não era mais de tristeza, era de felicidade, de plenitude e de amor – amor pela vida que há muito tempo não tinha.

Quero começar o ano fazendo algo que sempre quis fazer, mas nunca me comprometi de verdade – acho que por medo de não conseguir cumprir, mas… no fim do ano veremos o saldo das minhas metas!

  1. Parar de deixar as coisas pra depois, e começar a fazer AGORA – eu sempre fui o tipo de pessoa que acumula afazeres e depois se ferra com tanta coisa pra fazer;
  2. Ser mais organizada com as minhas obrigações – ainda mais agora, que é o ano do tcc, manter uma agenda seria perfeito;
  3. Organizar minhas finanças – todo ano é a mesma história de que vou economizar, masNOSSA que coisinha bonitinha preciso muito disso pra viver;
  4. Terminar minha casa;
  5. Conseguir completar uma corrida acima de 5km;
  6. Estar mais presente na vida das pessoas que eu amo;
  7. Viajar para pelo menos dois lugares novos;
  8. Atualizar o blog ao menos uma vez por semana;
  9. Cuidar e dar mais atenção para o meu cachorro, que completou seus 6 aninhos há dois meses ♥;
  10. Me amar e me aceitar mais como eu sou.

Bom ano pra gente, amigos!

Beijos,

Ju

 

Sobre a vida…

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É engraçado ver as voltas que a vida dá, né? Comecei a escrever esse texto e apaguei diversas vezes – é muito difícil falar sobre algo que nem mesmo eu entendi ainda. Posso dizer que essa viagem foi um grande divisor de águas na minha vida. Me arrisco a dizer que houve a vida pré-Nova York e agora estou vivendo a vida pós-Nova York. Cheguei naquele momento da vida em que normalmente somos obrigados a aprender a dançar conforme a música, e nos deixar levar pelo ritmo sem pensar muito bem no que estamos fazendo. Só fechar os olhos e ir. Não tenho direito de dizer que tudo que vivi foi em vão, pois cada momento vivido me trouxe onde estou hoje e me levou a ser quem sou.

Ainda estou absorvendo tudo que vivi em Nova York e como prometido, vou falar sobre tudo aqui. Foram tantas coisas incríveis, tanto aprendizado, que nunca saberia transmitir com palavras – mas prometo que vou tentar.

Recebi uma mensagem linda no meu último dia lá, de uma pessoa que me acolheu e me tratou tão bem como nunca imaginei que seria tratada, e é com essa mensagem que termino esse post.

“Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior… Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa. E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós'”.

Beijos,

Ju