Como é trabalhar na Disney #2

Se você ainda não viu os outros posts sobre a Disney, clique aqui para ver a apresentação, e aqui para ver a parte 1 da história, que é contada pela minha amiga Luciana.

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Voamos com a saudosa Transbrasil, todos juntos no mesmo vôo por 8 horas durante toda a noite. Chegamos bem cedo e um ônibus nos esperava, então fomos levados ao condomínio onde moraríamos nos próximos 3 meses – o Vista Way. Nos reunimos no Clubhouse, que é uma espécie de recepção do condomínio e de lá fomos levados aos nossos apartamentos para deixar nossas bagagens e retornar ao Clubhouse para um longo dia de assinatura de contratos e regras do condomínio.

Ao retornar ao apartamento, me dei conta de que moraríamos em seis pessoas, sendo quatro de nós éramos brasileiras que chegamos juntas (eu, Renata – com quem eu dividia meu quarto, Marianna e Juliana) e as duas que já estavam acomodadas eram americanas (Kelly e Alice). Éramos em duas por quarto, um banheiro para dois quartos e outro banheiro para um quarto.

No dia seguinte acordamos muito cedo e fomos ao Disney University para o Traditions, um treinamento de dois dias para todos os recém chegados sobre todas as empresas que compõem a Disney, políticas, regras gerais e conhecimento cultural e tudo mais. Foram dias intensos, mas muito dinâmicos e divertidos. Foi lá que ficamos sabendo onde trabalharíamos e quais seriam nossos cargos.

Depois do Traditions, o grupo se dividia e cada um ia pro seu parque ou hotel onde trabalharia, no meu caso desta primeira vez era no All Star Sport Resort, a maior rede de hotéis do mundo. O All Star Resort é composto pelo Sport, Music e Movies (que na época ainda não existia). Cada um com aproximadamente 3000 quartos. É um hotel de categoria acessível junto com o Pop Century Resort, um dos principais rumos dos grupos brasileiros de turismo.

No final do Traditions descobri que trabalharia como Food & Beverage Hostess – com alimentos e bebidas. Tudo que eu não queria (Hahaha!). Na época não sabia nem fritar um bife e fazia arroz na panela elétrica japonesa, que é minha descendência.

Tivemos meio dia de treinamento sobre o Resort e o restante do dia foi um overview do All Star Sport e tirando medidas dos uniformes.

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Dia seguinte demos início ao treinamento de uma semana no meu local de trabalho, a praça de alimentação. O contrato pede o mínimo de 40 horas semanais de trabalho, sendo na maioria das vezes 5 dias de trabalho de 8 horas e 2 dias de folga. Ganhávamos por hora e nosso pagamento era toda quinta-feira.

Lá havia a Bakery, onde se vendia pães doces e doces em geral, o Market, mercado onde se vendia principalmente frutas, saladas e outras e bebidas que não tínhamos nas nossas máquinas, Barbecue, onde se vendia churrasco estilo americano, Grill, onde se vendia sanduíches, a Pizzaria e a Beverage Island, onde estavam as máquinas de refrigerante, condimentos, etc.

O trabalho lá era por escala e com bastante rotatividade. Através de um estudo, concluíram que após uma hora fazendo a mesma coisa o ser humano fica entediado e perde o interesse, então tínhamos um intervalo de 15 minutos a cada 1 hora.

Cada dia trabalhava num lugar diferente e dentro de cada local havia 4 ou 5 posições de atendimento diferentes, era muito interessante e realmente o estudo é imenso. Primeiramente foi surpreendente o novo vocabulário pra decorar, tirando as pizzas e os itens do mercado – eram muitos sanduíches diferentes, acompanhamentos de churrasco e da padaria então, nem se fala! O treinamento consiste em 5 dias de aprendizado com todos os procedimentos de abertura e fechamento de todos os shops, atendimento padronizado e após isso, no 6º dia, tem o check-out. É a prova pra ver se passamos ou não pra podermos ficar por nossa própria conta. Nesse período usamos uma bandeirinha em nosso crachá onde diz: Earning my Ears (Ganhando minhas orelhas). Todos sabem que isso significa que estamos em treinamento e assim todos tem mais paciência conosco.

Quando trabalhamos lá somos chamados de Cast Member (Membros do Elenco), porque tudo lá é um grande show. Em nossas horas vagas ou dias de folga, podemos entrar nos parques gratuitamente e temos 25% de desconto em merchandising dentro da propriedade Disney.

Foi uma experiência sensacional – primeira vez que morei fora de casa, ainda dividindo o apartamento com mais 5 garotas e em outro país. Dessa vez não fiz viagem nenhuma, preferi conhecer mais a área mesmo, já que só tinha ido pra Disney uma vez no meu aniversário de 15 anos e não me lembrava de muita coisa. Meus dias de folga eram regados de Disney – se não nos parques, nos parques aquáticos ou passeando e conhecendo os hotéis deles mesmo: estudando a perfeição da temática deles.

Não deixem de acompanhar os próximos capítulos, temos uma surpresa pra vocês.

Have a magical day!

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Como é trabalhar na Disney #1

Esse é o primeiro capítulo da série que foi apresentada aqui algumas semanas atrás – caso você não tenha visto, clique aqui. A partir de agora, toda semana teremos minha amiga Luciana Inose aqui contando pra gente tudo sobre essa experiência incrível da vida dela.

Ainda incerta sobre a carreira, vinda de uma recém troca em cima da hora de Medicina para Turismo depois de 2 anos de vestibular e cursinho, tendo acabado de passar na Unicamp, dei início ao curso de Turismo na Anhembi Morumbi e, pra minha surpresa, logo no primeiro mês anunciaram uma palestra pra trabalhar na Disney. Foi hiper motivante escutar sobre as oportunidades que ofereciam pra esse estágio, no mesmo dia já começaram as entrevistas. Foram 2 dias de entrevistas intensas em grupo, ministradas pelo representante da Disney no Brasil – da empresa JZG Brazil de Camburiú.
Eu já era formada e fluente em inglês há 3 anos, mas foi a primeira vez que precisei usá-lo fora da sala de aula. Eu estava um poço de nervos.

Depois disso, a primeira lista de aprovados levou duas semanas pra sair e tivemos a segunda rodada de entrevistas. Desta vez individual e com os recrutadores da Disney, que vieram de Orlando pra essa finalidade. Foi a minha primeira vez falando com um americano e ainda pra entrevista de trabalho – a sensação de que a qualquer momento iria desmaiar era constante. Depois de mais duas longas semanas, saiu a última lista dos aprovados e lá estava o meu nome! A partir daí, depois de tanta ansiedade… MAIS ANSIEDADE.

Mais duas semanas se passaram e tivemos um encontro na faculdade pra comprar as passagens e levar toda a documentação para o visto. Neste encontro, muitas das pessoas que passaram nem compareceram, pois os pais não autorizaram suas idas. Na época era moda o golpe de levar brasileiros para trabalhar no exterior e acabarem tendo que se prostituir, então os pais estavam muito receosos pois era o primeiro grupo oficial da Disney e nunca tinham ouvido falar nisso antes.

Passando uma semana, recebi em casa uma pasta de “Welcome” da Disney, com uma carta de agradecimento por aceitar a oportunidade (Hahahahaha, isso pareceu piada né, eu que deveria estar agradecendo!), um mapa da propriedade e um livreto do “Disney Look”, que era um importante manual básico sobre cortes de cabelo, unhas, barbas, cores, tamanhos, acessórios… Enfim, tudo para padronizar a aparência Disney.

Depois disso foi infindável a espera de três semanas para o nosso embarque. Em um acordo com a Universidade Anhembi Morumbi, tivemos um calendário especial de provas, pois iríamos antes do final do 2º bimestre e voltaríamos logo depois do final do 3º bimestre. Passando o que pareceu uma vida pra mim – regada a muitos sanduíches, chocolates e noites em claro, chegou o grande dia do embarque em Maio. Com uniformes especiais para a ocasião e muita empolgação, nos reunimos no aeroporto de Guarulhos. O primeiro grupo oficial de brasileiros indo trabalhar na Disney para o 1º Summer International Program!

Não deixem de acompanhar os próximos capítulos.

Have a magical day!

Como é trabalhar na Disney – Apresentação

Esse é o primeiro post da nossa série sobre a Disney, e já adianto que vem muita coisa boa por aí. Convidei minha amiga, Luciana, para contar pra vocês como foi a experiência de trabalhar no lugar mais mágico do mundo e ela topou contar tudo sobre o assunto aqui no blog. Essa será uma série de posts contando toda a história e foi feita bem dividida pra que vocês possam aproveitar cada pedaço dela com a gente. Vamos lá?

Meu nome é Luciana, tenho 37 anos, sou separada, tenho um filho de 4 anos e meio e tenho 4 “empregos”. Trabalho horário comercial em uma firma de advocacia internacional como gerente administrativo, tenho minha empresa de doces (Cupcakery by Lu), faço itinerários específicos pra Walt Disney World Resort na Flórida e também vendo Herbalife. E aí você pensa no quão contraditório é a empresa de doces versus a Herbalife, mas sim, eu ajudo a engordar as pessoas e depois ajudo a emagrecer! Kkkkk

Sou formada em Turismo pela Anhembi Morumbi e a maior parte da minha carreira foi em Hotelaria, trabalhei no Hotel Renaissance, Hotel Emiliano e no Grand Hyatt São Paulo. Na transição de carreira dei aulas de inglês em escolas e em empresas também até estar onde estou.

Mas o que nos interessa hoje é que no início da faculdade, antes de fazer minha carreira hoteleira, eu trabalhei na Disney em seus primeiros programas internacionais que levaram oficialmente brasileiros pra lá para trabalhar. Eram programas de três meses no meio do ano ou no final do ano e nessa, acabei indo pra lá nos programas da Disney quatro vezes. Duas vezes no meio do ano, que eles chamavam de Summer Program, uma vez no final do ano, que eles chamavam de Winter Program e uma vez no meu último que foi um programa diferente, com duração de um ano que era o Guest Relation Program.

Desde o início, além dos programas curtos, eles tinham também outros dois programas diferentes com duração de um ano: o Hospitality Program (era necessário já ter participado ao menos uma vez de algum programa curto) para trabalhar em um dos hotéis e o Management Program, (que era necessário ter tido experiência em cargo de supervisão ou gerência no mínimo de um ano) que era um programa de trainee em um dos hotéis.

Depois do ataque de 11 de Setembro, esses programas de um ano foram cancelados por muitos anos até que surgiram com o Guest Relation Program onde éramos Representantes Culturais.

São dessas grandes e melhores experiências da minha vida que vou contar nos próximos capítulos.

Have a magical day!