Vamos fazer um escândalo

É impossível não comentar sobre os últimos acontecimentos. Acredito que esse tema seja um daqueles em que preferimos não comentar sobre, pois se o fizermos, muita coisa ruim virá a tona. Quantas mulheres você conhece, entre primas, tias, amigas ou colegas você já viu sofrendo com algum comentário, olhar ou até mesmo gestos infames vindos de homens aleatórios (ou não)? Conversando com amigas e colegas, não é comum falarmos sobre esse assunto, mas quando comentamos sobre o quão enojadas estamos com algum desses casos, é notável que todas já tenham passado por casos parecidos.

Com toda essa história do assédio à participante de 12 anos do MasterChef Júnior, e tudo que tenho lido sobre o caso, parei para refletir sobre quando eu tinha essa idade. Aos 12 anos, eu já era capaz de ir sozinha para minhas aulas de natação, que não era muito distante da minha casa. Lembro que costumava ir de saia ou short até lá, o que era totalmente normal pra mim e pras minhas amigas também, até que eu comecei a me sentir completamente intimidada com tantos olhares e palavras que eu não entendia direito, mas sabia que não eram nada boas. Eu, aos 12 anos, me privando de sair de casa e com medo de ir até a aula sozinha, pois tinha medo de ser assediada por homens na rua.

Claro que a partir daí, esse tipo de acontecimento não deixou de acontecer, muito pelo contrário. Há poucos meses atrás me vi chorando ao chegar em casa, com nojo e outros sentimentos que não sei definir. Imagine que você precisa pegar um ônibus lotado depois da faculdade, pois precisa muito chegar em casa logo (afinal, é quase meia noite, e é perigoso andar sozinha a noite) e sente que tem alguém atrás de você se aproveitando muito dessa super lotação e praticamente te atravessando. O que você faz? É, exatamente, você fica quieta e aguenta aquilo (nunca façam isso) ou faz um escândalo. E foi o que eu fiz. Um escândalo. Mas claro que, ao chegar em casa, seria impossível não chorar de ódio e se perguntar se tem alguma coisa errada com você. NÃO, NÃO TEM. Mas tenho certeza que muitas de vocês pensam isso, assim como eu fiz aquele dia.

Abuso, diferente do que muitos pensam, não se trata apenas de estupro, mas sim de tudo isso que citei aí em cima. É difícil saber que tantas meninas passam por isso, e que provavelmente esse mal não tem cura. Mas acredito que falar sobre o assunto seja um grande passo pra essa humanidade que parece estar perdida. É um tema muito complicado de se falar, por isso, vou deixar um vídeo da Jout Jout aqui, com uma reflexão bem intensa sobre tudo isso.

Diante disso, só posso dizer que não, não vamos ficar quietinhas.

VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO.

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